O que é a escarlatina?
É uma doença infeciosa e contagiosa caracterizada por amigdalite, febre e manchas vermelhas no corpo. As toxinas produzidas pela bactéria Streptococcus pyogenes desencadeiam uma resposta inflamatória que provoca dilatação dos vasos sanguíneos da pele, que adquire a cor vermelha característica da escarlatina.
A escarlatina é mais comum em crianças até aos 10 anos mas também pode atingir adolescentes e adultos, sendo rara em crianças com menos de 1 ano.
A maioria das crianças desenvolve anticorpos protetores contra a toxina, que previnem a recorrência da doença.
Sintomas da escarlatina
Habitualmente têm início súbito, com febre, dor de garganta, gânglios aumentados no pescoço, dor de cabeça, náuseas, dores no corpo e mal-estar geral. As crianças mais pequenas poderão também ter vómitos e dor de barriga. As manchas na pele aparecem 12 a 48 horas após o início da febre, inicialmente no pescoço e posteriormente com extensão para o tronco e membros, poupando as palmas das mãos e plantas dos pés. Muitas vezes coexiste palidez à volta da boca e língua muito vermelha, como um morango. Numa fase mais tardia poderá ocorrer descamação da pele.
Grupos de risco
As crianças em idade escolar, nomeadamente entre os 5 e 15 anos de idade, têm mais probabilidade de desenvolver a escarlatina. A sua incidência é maior durante os meses de inverno e primavera e em grandes aglomerados populacionais.
Como se dá o contágio e como evitá-lo
A bactéria transmite-se de pessoa para pessoa através do contacto com secreções das vias respiratórias. A tosse ou o espirro são formas de transmissão da escarlatina, pois a bactéria existe nestas secreções respiratórias. Do mesmo modo, deve evitar-se beijar a pessoa doente, assim como beber do mesmo copo ou usar os seus talheres. Outra medida essencial é a lavagem frequente das mãos com água e sabão.
Por forma a minimizar o contágio, as crianças com escarlatina não devem regressar à escola até completarem 24 horas de tratamento.
Diagnóstico
Na maioria dos casos é feito pelo médico através da observação da criança. Existem também testes de diagnóstico, que podem ser realizados nos casos em que persistam dúvidas após a observação.
Tratamento
É feito com antibióticos, sendo a penicilina ou amoxicilina os antibióticos de primeira linha. Os objetivos do tratamento são reduzir a duração e gravidade da doença, assim como prevenir a sua transmissão.
Simultaneamente devem ser incentivadas medidas gerais para alívio dos sintomas da escarlatina, tais como dieta com alimentos moles e ingestão de líquidos.
Colaboração:
Joana F. Oliveira, pediatra do Hospital de Cascais
Especialidades em foco neste artigo:
Pediatria