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Gastroenterite Aguda

A maioria das inflamações agudas do tubo digestivo é provocada por vírus e desaparece ao fim de três, quatro dias, sem grandes complicações. Sintomas como diarreia com sangue, vómitos incontroláveis e febre podem no entanto indicar uma situação de maior gravidade, alerta Beatriz Costa Neves, coordenadora da Unidade Funcional de Gastrenterologia do Hospital de Cascais. Qualquer destes sinais justifica uma avaliação médica da situação.

 

O que é

Uma gastroenterite aguda é uma inflamação do tubo digestivo, incluindo o estômago, intestino delgado e cólon. "Tem um início súbito e normalmente caracteriza-se pelo aparecimento de sintomas como dor abdominal, diarreia, vómitos e náuseas", explica Beatriz Costa Neves, coordenadora da Unidade Funcional de Gastrenterologia do Hospital de Cascais. Na maior parte dos casos, tem uma duração de três a cinco dias e "é uma doença autolimitada", ou seja, que passa espontaneamente após esse período.


Causas

"Mais de 50% das gastroenterites são virais e não dão grandes complicações. Depois, entre 40 a 45% dos casos, a origem do processo infecioso é bacteriana e só muito raramente (em 5 a 10% das situações) encontramos gastroenterites provocadas por parasitas", estima a especialista. As situações de maior gravidade "estão geralmente relacionadas com gastroenterite bacteriana".

 

Tipos de gastroenterites

 

            Gastroenterites virais:

São as mais frequentes e também as mais inofensivas. Em causa estão vírus da família dos rotavírus, norovírus e adenovírus, mas o perigo, nestes casos, "depende mais do hospedeiro do que do vírus", explica Beatriz Costa Neves. Os adultos saudáveis não correm habitualmente qualquer risco, mas a mesma infeção pode assumir maior gravidade quando em causa estão pessoas com um sistema imunitário frágil. Isto é, crianças muito pequenas, idosos ou doentes crónicos com comorbilidades que incluem a imunodepressão (pessoal ou induzida por fármacos).

 

            Gastroenterites bacterianas:

Na origem do problema podem estar diferentes tipos de bactérias, com comportamentos diversos. Enquanto algumas colonizam a mucosa do tubo intestinal e são invasivas (como é o caso da salmonela, da campylobacter), outras produzem toxinas capazes de irritar e inflamar o tubo digestivo —, e são essas toxinas que estão na origem do desenvolvimento da gastroenterite aguda. É o caso da E. coli, a bactéria mais grave de todas. "A bactéria responsável pela cólera é o protótipo de uma bactéria toxigénica", explica a especialista.

 

            Gastroenterite causada por parasitas:

A inflamação causada por estes microrganismos, o tipo mais raro de gastroenterite, atinge mais as crianças e é mais frequente nos países em desenvolvimento, devido a falhas relacionadas com a higiene e a ausência de saneamento básico.

 

Nota: A expressão intoxicação alimentar quer apenas dizer que o agente infecioso foi adquirido através da alimentação. Não se trata de um tipo de gastroenterite.

 

Sintomas

Dor abdominal, diarreia, vómitos e náuseas são as manifestações mais comuns de gastroenterite. É também relativamente comum haver queixas de dores de cabeça e podem ainda surgir, mais raramente, dores musculares e/ou nas articulações. Sintomas como sangue nas fezes, vómitos incoercíveis, febre e dores abdominais fortes, são sinais de alerta de maior gravidade e pedem uma avaliação médica da situação.


Cuidados a ter

"Pode haver portadores que não estejam doentes", mas em qualquer caso, a transmissão das gastroenterites é feita pela forma fecal-oral, e por contágio pessoa-a-pessoa. Por esse motivo, Beatriz Costa Neves recomenda que os cuidados gerais com a alimentação e a higiene sejam adotados como comportamentos de rotina e não apenas na presença de uma pessoa afetada.

 

A saber:

  • Lavar as mãos cuidadosamente e com frequência;

  • Secar sempre bem as mãos e usar toalhas individuais na casa de banho;

  • Manter bem limpos os sanitários (desinfeção vulgar);

  • Lavar cuidadosamente os alimentos crus;

  • Na cozinha, ter especial cuidado com o manuseamento de carnes brancas, ovos, etc.;

Manter a baixas temperaturas, alimentos crus ou processados, como carnes picadas, natas e outros;

 

    Diagnóstico e tratamento

A origem exata da causa de uma gastroenterite só é passível de identificação após análises laboratoriais das fezes do doente, as chamadas coproculturas. "Pode ter interesse conhecer o agente infecioso, por motivos de saúde pública (caso das intoxicações alimentares), ou em casos, por exemplo, de diarreias muito prolongadas e com sangue que exigem tratamentos muito específicos. Mas normalmente não se investigam todas as gastroenterites", explica Beatriz Costa Neves. Como frequentemente estão em causa gastroenterites virais e de menor gravidade, o tratamento especificamente dirigido ao agente em causa é raro. A primeira linha de tratamento é quase sempre a terapia empírica, ou seja, o tratamento indiferenciado dos sintomas.

 

       Hidratação

Manter o organismo hidratado é uma medida de extrema importância. Beber muita água ou chá preto é um dos primeiros conselhos, sendo também possível recorrer a rehidratantes de farmácia ou à solução recomendada pela Organização Mundial de Saúde para facilitar a absorção da água e sais minerais, composta por uma colher de chá de sal e oito colheres de açúcar para um litro de água. A ingestão de leite é de evitar, "porque pode haver uma situação temporária de intolerância à lactose", alerta a gastrenterologista. Em ambiente hospitalar, e em situações de vómitos incoercíveis, pode recorrer-se ao uso de soro endovenoso.

 

      Antieméticos

Quando os vómitos são constantes e impossíveis de controlar, mesmo perante uma dieta líquida, são recomendados os fármacos antieméticos para alívio do enjoo, náuseas e vómitos.

 

      

     Antidiarreicos

Perante situações de grande desconforto e diarreia constante, podem ser prescritos medicamentos antidiarreicos. Estes não devem, porém, ser tomados quando existe sangue nas fezes ou febre, sintomas que indicam a presença de um agente bacteriano potencialmente mais grave e invasivo. "Nestes casos, os antidiarreicos podem levar ao agravamento da inflamação e precipitar uma situação mais grave, provocando aquilo a que se chama megacólon tóxico", explica Beatriz Costa Neves.

 

      Antibióticos

"Em algumas circunstâncias, dependendo da história do doente e no caso de diarreias mais prolongadas, por exemplo resultantes de epidemias, a pessoa pode fazer terapia empírica com antibiótico, através de uma toma única e sempre por decisão do médico", acrescenta a especialista.

 

 

Colaboração: Beatriz Costa Neves, coordenadora da Unidade de Gastrenterologia do Hospital de Cascais

 

Especialidades em foco neste artigo: Gastrenterologia