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Dez conselhos e mitos sobre nutrição para diabéticos

​​​Numa consulta sobre alimentação, uma pessoa com diabetes que sempre gostou de doces quer, por norma, saber se nunca mais poderá comer um bolo. E se ela não passa sem pão a cada refeição, pergunta se pode continuar a consumi-lo.

A endocrinologista Catarina Coelho, coordenadora da Unidade Integrada de Diabetes do Hospital de Cascais, já ouviu estas e outras dúvidas e lista os principais conselhos para que siga uma alimentação saudável que lhe permita controlar a diabetes.

Conselhos

1.  Deve reduzir a ingestão de gordura e de sal

A diabetes e, especificamente, a diabetes tipo 2 está, por norma, associada à síndrome metabólica, ou seja, os doentes raramente têm "apenas" a glicemia elevada. Há também hipertensão (muitas vezes já medicada) e a restrição de sal relaciona-se com a necessidade de controlar este fator adicional de risco cardiovascular.

A diminuição da ingestão de gordura relaciona-se com a presença ou ausência de colesterol elevado ou de excesso de peso. Deve optar-se por gordura saudável: a dieta mediterrânea com azeite e peixe pelo menos três vezes por semana continua a ser das melhores opções de dieta.

2.  Aumente a ingestão de fibras

Este é um conselho válido também para os não diabéticos. As fibras alimentares são uma grande mais-valia alimentar:

a. Reduzem a glicemia máxima que é atingida após a refeição;

b. Reduzem o colesterol;

c. Os marcadores inflamatórios de disfunção endotelial (relacionada com funções da vasculatura) baixam logo nos primeiros dez dias de aumento do seu aporte na alimentação;

d. Provocam saciedade, o que leva à diminuição da quantidade de alimentos ingerida;

e. Contribuem para a perda de peso;

f. Regulam o funcionamento intestinal.

 

3. Faça pequenas refeições ao longo do dia

Fracionar a alimentação em cinco a seis refeições por dia pode ser importante. No fundo, corresponde a fazer uma refeição intermédia entre cada duas refeições principais e comer outro pequeno lanche antes de ir para a cama, contando com intervalos de cerca de 3 horas. Assim, reparte-se a ingestão de hidratos de carbono e evitam-se as hipoglicemias. O plano alimentar deve ser analisado caso a caso.

4. Tenha um pacote de açúcar sempre consigo

Este conselho é válido para doentes que estejam a fazer antidiabéticos orais hipoglicemiantes ou insulina, pois pode ser necessário para a correção de uma baixa de açúcar. E deve ser tomado porque é rapidamente absorvido, ao contrário da frutose que leva mais tempo ou de bolos que têm de passar pelo processo digestivo para que haja absorção, não sendo por isso indicados para o tratamento de hipoglicemia.

5. Prefira as carnes brancas

Devido ao tipo e quantidade de gordura saturada associada ao tipo de carne. As carnes brancas (sem pele), como frango, peru e coelho têm menos gordura saturada, logo são preferíveis como fonte proteica à carne de vaca.

 

Mitos

1. Uma pessoa com diabetes tem de fazer restrições e dieta

Deve-se falar, sublinha a endocrinologista Catarina Coelho, em alimentação saudável e não em "restrições". E, em reeducação alimentar e não em "dieta". Os planos alimentares estabelecidos com o doente são personalizados de acordo com as suas necessidades de saúde, de estilo de vida e adaptados às necessidades da fase de vida em que se encontra. O plano alimentar para uma pessoa de 70 anos com diabetes, a fazer insulina, que sofre de hipertensão e insuficiência renal é diferente do de uma pessoa com diabetes de 30 anos, com excesso de peso mas sem outras complicações.

2. Não pode voltar a comer doces

Uma pessoa com diabetes pode comer doces e chocolates desde que em pequenas porções  - e, de preferência, em ocasiões especiais. Deverá compensar essa opção com a redução de outros tipos de hidratos de carbono durante uma refeição para no fim poder incluir o doce. Ou aumentar a atividade física com uma boa caminhada, por exemplo - claro que esta opção, sendo boa, não é milagrosa.

3. Um diabético tem de reduzir as proteínas consumidas

A redução de proteínas só está indicada nas situações de insuficiência renal, que podem acompanhar estádios mais avançados da diabetes. Fora essa situação, a ingestão proteica deve rondar 20% a 30% do total de calorias consumidas e as fontes devem equilibrar-se entre animais e vegetais.

4. A comida dietética é mais benéfica para um diabético

Não é. Este tipo de alimentos não oferecem, por norma, benefícios extra e alguns podem ter efeitos secundários, como o efeito laxante por excesso de adoçantes calóricos como xilitol ou sorbitol. E podem ser mais calóricos pois, muitas vezes, retiram-se hidratos de carbono e compensa-se com gordura, que é mais calórica (1 g de gordura tem 9 kcal enquanto 1 grama de hidratos de carbono tem 4 kcal).

5. Quem tem diabetes pode consumir toda a fruta que quiser

A fruta é um alimento saudável, com vitaminas minerais, fibra, antioxidantes e frutose. Deve ser comida "inteira" e não em sumo pois logo aí perde-se o valor das fibras. Mesmo as frutas tidas como "muito doces" podem fazer parte da dieta. Contudo, o seu consumo não deve ultrapassar as 3 a 5 porções por dia.

A pessoa com diabetes tem apenas de conhecer as equivalências, isto é, quantas uvas ou figos equivalem a uma pera ou maçã. Além de estes conhecimentos serem transmitidos nas consultas de nutrição, pode consultar a tabela nutricional do Instituto Ricardo Jorge (site para link: http://portfir.insa.pt/#).

 

Em resumo

A terapia nutricional é parte integrante do tratamento e uma pessoa com diabetes deve seguir as porções indicadas na roda dos alimentos e comer um pouco de tudo, privilegiando, por exemplo, hidratos de carbono complexos relativamente aos simples, evitar excessos de gordura principalmente trans e saturada, moderar o consumo de sal (sobretudo se houver hipertensão) e aumentar a ingestão de fibra.


Colaboração:

Catarina Coelho, E​​ndocrinologista no Hospital de Cascais

Especialidades em foco neste artigo:

Endocrinologia